Realizado no âmbito da estratégia de segurança rodoviária para a próxima década – a “Visão Zero2030” -, este relatório técnico do Laboratório Nacional de Engenharia Civil salienta que “não há soluções simples para atingir a meta de reduzir em 50% os mortos e feridos na estrada até 2030”.

Seguindo orientações das Nações Unidas e da política de transportes definida para a União Europeia, os peritos do LNEC, que trabalharam com a Universidade de Tecnologia de Delft, nos Países Baixos, e com um Conselho Executivo de não-Especialistas, defendem “a adoção nacional” à meta de redução em 50% da sinistralidade até 2030, admitindo duas hipóteses para o cálculo dos valores de referência.

“Se se adotar a média dos mortos e feridos entre 2017 e 2019, a meta situar-se-á em 317 mortos e 1.108 feridos graves; se 2019 for o ano de referência, a meta será 313 mortos e 1.044 feridos.”

Estima-se que, a conseguir-se atingir a meta, “evitar-se-iam 517 ou 513 mortes rodoviárias” no ano de 2030, mesmo com a previsão de um aumento de tráfego de ciclistas e de motociclistas ao longo desta década.

Os peritos relatam ser necessário diminuir a exposição ao risco de peões e ciclistas, tendo em conta que as deslocações a pé ou de bicicleta serão cada vez mais usuais.

Entre as medidas sugeridas estão a “existência de vias separadas em corredores de tráfego de elevada velocidade” e a “diminuição do volume de tráfego motorizado em zonas de 30 km/h e em zonas residenciais”.

O documento alerta ainda para as diferenças consideráveis nos indicadores de sinistralidade, recomendando que “são precisas medidas adequadas a dois tipos principais de cenários: zonas urbanas e zonas rurais”.

Surge como exemplo da diferença entre zonas urbanas e rurais:

  • 30% dos acidentes e 19% dos mortos acontece em cruzamentos de zonas urbanas;
  • em zonas rurais, os acidentes em nós de ligação de autoestradas provocaram 03% dos mortos e os que aconteceram em intersecções de estradas com faixa de rodagem única causaram 09% das mortes.

Nas estradas rurais:

  • Os condutores de automóveis (66%) e os ocupantes de veículos de duas rodas com motor (20%) constituem a maioria dos mortos nas estradas;

Em zonas urbanas:

  • a maioria dos mortos ocorreu em automóveis (40%), veículos de duas rodas com motor (36%) e outros veículos (15%)”.

O relatório conclui que as intervenções deveriam incidir nos motociclistas e condutores de automóveis em estradas rurais, já por sua vez os alvos preferenciais em zonas urbanas seriam intervenções de modo a mitigar os problemas de segurança de peões (18% do total de mortos), dos ocupantes de veículos de duas rodas com motor (motociclos e ciclomotores) e dos ciclistas e, indiretamente, dos ocupantes de automóveis.

A velocidade excessiva e a condução sob o efeito de álcool continuam a ser apresentadas pelos especialistas como os “dois problemas capitais com uma relação bem conhecida com o risco de acidente” em Portugal.