O Conselho Europeu de Segurança dos Transportes reforça o apelo para a criação de uma Autoridade de Investigação de Acidentes Rodoviários na UE para conduzir análises forenses a acidentes que envolvem veículos autónomos nas estradas da União.
Este apelo à ação surge no seguimento do anúncio feito pela Mercedes-Benz no lançamento alemão do ‘Drive Pilot’, um sistema que permite a condução autónoma em “mãos-livres” a velocidades até 60 km/h nas autoestradas alemãs. Esta é a primeira aprovação de um sistema de condução autónoma Nível 3 para uso na Europa. Estes sistemas permitem uma condução sem intervenção do condutor em certas circunstâncias.

Normas técnicas e de segurança internacionais para tais sistemas foram aprovadas pela agência da ONU, UNECE em 2020. As alterações nas leis rodoviárias nacionais da Alemanha para permitir o uso de tais sistemas sob certas condições foram aprovadas em 2017. Mas o sistema ainda não foi aprovado para uso em toda a UE, e vários Estados-Membros ainda necessitam de proceder a alterações necessárias às leis rodoviárias que permitiriam uma condução autónoma.
O ETSC apela:
- À criação de uma agência europeia para supervisionar ou conduzir investigações sobre acidentes envolvendo sistemas autónomos e publicar todas as conclusões a fim de ajudar a prevenir futuros acidentes;
- À notificação obrigatória à agência da UE pelos fabricantes de todos os acidentes que envolvam sistemas autónomos ativos nas estradas públicas da UE, bem como acidentes envolvendo sistemas de condução assistida de nível 2 já existentes;
- Ao acesso direto aos dados internos do veículo para as autoridades relevantes para permitir investigações aprofundadas e independentes de acidentes rodoviários; Nos Estados Unidos, o National Transport Safety Board (NTSB) investigou vários acidentes envolvendo sistemas de condução assistida de Nível 2 e forneceu recomendações úteis aos fabricantes. O Reino Unido está atualmente a realizar consultoria sobre a criação de uma autoridade para investigação de acidentes rodoviários.
Na UE, a maioria das autoridades não acede rotineiramente aos dados dos veículos ao investigar acidentes devido à complexidade técnica e às barreiras legais. Os Países Baixos assumiram um papel de liderança na investigação de acidentes que envolvem sistemas autónomos e recentemente encontrou um método para aceder aos dados de veículos sem o envolvimento do fabricante.
O ETSC defende que a União Europeia deve estabelecer um sistema adequado de supervisão regulatória antes que a implementação destes sistemas autónomos seja permitida.
