Mortalidade Rodoviária

Dados preliminares da Comissão Europeia apontam para cerca de 19 400 mortos nas estradas europeias em 2025, menos 580 do que no ano anterior. Uma descida assinalável na mortalidade, mas insuficiente para cumprir a meta europeia de redução de 50% até 2030. Portugal regista 55 mortos por milhão de habitantes, acima da média europeia de 43, e necessita de acelerar significativamente o ritmo de redução para cumprir os objetivos estabelecidos.

Quantas pessoas morreram nas estradas europeias em 2025?

De acordo com os dados preliminares divulgados pela Comissão Europeia, registaram-se aproximadamente 19 400 mortes em acidentes rodoviários na União Europeia em 2025. Este valor representa uma redução de 3% na mortalidade face a 2024, equivalente a 580 vidas poupadas.

Tendo em conta o aumento do número de veículos em circulação e dos quilómetros percorridos nas estradas europeias, esta evolução é considerada um progresso significativo. Ainda assim, os dados são inequívocos: o ritmo atual de redução não é suficiente para atingir o objetivo estabelecido, reduzir para metade o número de mortos e feridos graves até 2030 e a maioria dos Estados Membros encontra-se aquém do trajeto necessário.

Que países registaram as maiores reduções em 2025?

A evolução da sinistralidade rodoviária é muito heterogénea entre os diferentes países da UE. Entre 2024 e 2025, destacam-se pela positiva a Estónia (-38%) e a Grécia (-22%). Com reduções mais moderadas, mas ainda assim positivas, surgem a Hungria (-8%), a Dinamarca (-6%) e a Bulgária (-5%).

Em sentido contrário, registaram-se aumentos preocupantes em países como Malta (+75%), Eslovénia (+37%), Lituânia (+12%) e Croácia (+9%), o que evidencia a natureza desigual dos progressos alcançados no espaço europeu.

Com base nos dados preliminares disponíveis, os países que atualmente se encontram no caminho certo para atingir a meta de 50% de redução até 2030 são: Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Polónia e Roménia.

Quais são os países com maior e menor taxa de mortalidade rodoviária na UE?

Apesar dos progressos registados, a Bulgária (71), a Roménia (68) e a Croácia (67) continuam a registar as taxas de mortalidade mais elevadas da UE em 2025, medidas em mortos por milhão de habitantes, valores que chegam a triplicar os dos países mais seguros da Europa.

No extremo oposto, a Suécia (20) e a Noruega (20) mantêm as estradas mais seguras, seguidas de perto pela Islândia (21) e pela Dinamarca (23), valores que continuam a ser a referência de excelência para os restantes Estados Membros e para as políticas europeias.

A média europeia situa-se nos 43 mortos por milhão de habitantes em 2025, descendo dos 45 registados em 2024.

Taxa de mortalidade rodoviária por país — dados preliminares 2025

País 2025 2024 Var. 2024 Var. 2019 Var. méd. 2017-19
UE 43 45 -3% -15% -16%
Bélgica 40
Bulgária 71 74 -5% -27% -29%
Chéquia 43 45 -4% -23% -23%
Dinamarca 23 24 -6% -32% -25%
Alemanha 34 33 +2% -8% -11%
Estónia 31 50 -38% -17% -23%
Irlanda 34 32 +7% +31% +28%
Grécia 50 64 -22% -25% -27%
Espanha 36 37 0% +1% -1%
França 49 48 +2% +1% -1%
Croácia 67 62 +9% -12% -17%
Itália 49 51 -4% -9% -12%
Chipre 46 42 +10% -13% -12%
Letónia 63 60 +5% -11% -15%
Lituânia 48 43 +12% -25% -24%
Luxemburgo 27 n/a n/a n/a
Hungria 48 52 -8% -24% -26%
Malta 37 21 +75% +31% +19%
Países Baixos 35 32 +13% +9% +12%
Áustria 43 38 +13% -5% -4%
Polónia 45 52 -12% -43% -42%
Portugal 55 58 -5% -14% -11%
Roménia 68 78 -12% -30% -32%
Eslovénia 44 32 +37% -9% -6%
Eslováquia 42 48 -13% -16% -15%
Finlândia 33 32 +1% -15% -22%
Suécia 20 20 -2% -6% -22%
Suíça 24 28 -14% +14% -1%
Noruega 20 16 +28% +3% +3%
Islândia 21 33 -23% +67% -25%

Fonte: Base de dados CARE / Fontes nacionais / Eurostat

Portugal em 2025: acima da média europeia e aquém da meta para 2030

Qual é a taxa de mortalidade rodoviária em Portugal?

Em 2025, Portugal registou uma taxa de 55 mortos por milhão de habitantes nas estradas, valor que compara com os 58 por milhão registados em 2024, uma redução de 5% face ao ano anterior. Ainda que esta descida seja positiva e ligeiramente superior à média da UE (-3%), o país mantém-se 28% acima da média europeia de 43 mortos por milhão de habitantes.

No contexto da UE, Portugal ocupa uma posição intermédia-negativa: está longe dos piores valores da Europa (Bulgária com 71, Roménia com 68 e Croácia com 67), mas distancia-se consideravelmente dos países de referência como a Suécia e a Noruega (ambas com 20) ou a Dinamarca (23).

Está Portugal a cumprir a meta europeia para 2030?

A resposta direta é não. Para alcançar a meta europeia de redução de 50% no número de mortos face a 2019, Portugal teria de acelerar substancialmente o ritmo de melhoria. Os dados atuais mostram uma redução de apenas 14% face a 2019 e de 11% face à média 2017-2019, valores bem inferiores aos 50% necessários num prazo que termina em menos de cinco anos.

Comparativamente, países como a Polónia (-43% desde 2019) ou a Dinamarca (-32%) demonstram que é possível fazer progressos muito mais expressivos num período equivalente. Portugal encontra-se, por isso, entre os países que não estão atualmente no caminho certo para cumprir os compromissos assumidos no âmbito da política europeia de segurança rodoviária.

O que é necessário para Portugal atingir a meta de 2030?

Partindo da taxa atual de 55 mortos por milhão de habitantes, cumprir a meta de 2030 implicaria reduzir esse valor para aproximadamente metade dos valores de 2019, o que requer não apenas a continuação das medidas em curso, mas um reforço significativo da ambição e da eficácia das políticas de segurança rodoviária a nível nacional. Infraestruturas mais seguras, fiscalização mais eficaz, educação rodoviária transversal e proteção acrescida dos utilizadores mais vulneráveis são áreas que exigem atenção prioritária e investimento sustentado.

Feridos graves: um problema de escala invisível

Para cada morte nas estradas, estima-se que cinco pessoas ficam gravemente feridas. Isto significa que, anualmente, cerca de 100 000 pessoas sofrem lesões graves em acidentes rodoviários na UE, uma dimensão que raramente recebe a mesma atenção mediática que a mortalidade, mas que tem consequências igualmente devastadoras para as vítimas e para os sistemas de saúde.

Estradas rurais: onde a sinistralidade é maior

Os dados de 2024 confirmam uma tendência estrutural: as estradas rurais são as mais perigosas, concentrando 53% das mortes em acidentes de viação. Por comparação, as vias urbanas representam 38% e as autoestradas apenas 8%.

Utilizadores vulneráveis em ambiente urbano

Nas zonas urbanas, os utilizadores vulneráveis, peões, ciclistas, utilizadores de veículos de duas rodas com motor e de dispositivos de mobilidade pessoal, representam 70% das mortes. A esmagadora maioria destas ocorrências envolve colisões com automóveis ou veículos pesados.

Homens, jovens e idosos: os perfis de maior risco

  • Género: os homens representam 77% das mortes e as mulheres apenas 23% — uma assimetria persistente com raízes comportamentais e de exposição ao risco;
  • Jovens (18-24 anos) e idosos (65 ou mais anos): estes dois grupos registam uma representação desproporcionalmente elevada nas estatísticas de mortalidade, especialmente enquanto peões e ciclistas.

Qual é a distribuição de mortes por tipo de utente?

Tipo de utente % das mortes
Condutores e passageiros de automóvel 44%
Utilizadores de veículos de duas rodas motorizadas 21%
Peões 18%
Ciclistas 9%
Outros 8%

Os dispositivos de mobilidade pessoal (principalmente trotinetas eléctricas) representam apenas 1% do total, mas o número de mortes envolvendo estes equipamentos aumentou de forma significativa entre 2021 e 2024, um sinal de alerta que requer monitorização atenta e medidas de regulação adequadas.

O que prevê a política europeia de segurança rodoviária?

Em 2018, a União Europeia definiu como objetivo uma redução de 50% na mortalidade e feridos graves até 2030, tendo como horizonte mais ambicioso zero mortes nas estradas europeias até 2050, a denominada Vision Zero.

A Comissão Europeia publicou, em 2026, um relatório intercalar sobre a implementação do Quadro de Política de Segurança Rodoviária da UE. As conclusões confirmam que os progressos existem, mas o ritmo continua a ser insuficiente.

A segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada entre a UE e os Estados Membros. Enquanto as autoridades nacionais e locais asseguram a maior parte da intervenção no terreno, a UE contribui com normas de segurança para infraestruturas e veículos, regras de condução e licenciamento, coordenação transfronteiriça e financiamento de projetos.

Entre as iniciativas recentes, destacam-se a atualização dos requisitos para a carta de condução, o reforço da fiscalização transfronteiriça e uma proposta para melhorar a inspeção técnica dos veículos.

“A segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada. A redução constante das mortes nas estradas da UE mostra que os nossos esforços conjuntos estão a fazer a diferença. Mas cada vida perdida nas nossas estradas no ano passado é uma a mais. Temos de intensificar o trabalho com os Estados Membros, a indústria e os utilizadores das estradas para tornar as nossas estradas mais seguras e manter a Europa firmemente no caminho para o objetivo de zero mortes rodoviárias até 2050.”

Apostolos TzitzikostasApostolos Tzitzikostas, Comissário Europeu para os Transportes Sustentáveis e o Turismo

Fontes: