Dia Mundial da Visão

A visão é fundamental para reconhecer perigos, avaliar distâncias e antecipar situações de risco na estrada. No Dia Mundial da Visão, recordamos a importância de cuidar da saúde visual ao longo da vida.

Identificar um peão que se aproxima de uma passadeira, reconhecer um sinal de trânsito ou perceber que o veículo da frente começou a travar: são situações comuns na condução, mas todas dependem, em grande medida, da capacidade visual do condutor.

Ver bem não significa apenas conseguir ler uma matrícula ou distinguir um sinal à distância: implica também perceber o que acontece à nossa volta, avaliar movimentos e adaptar a condução às condições de visibilidade.

No Dia Mundial da Visão, assinalado a 8 de outubro, alertamos para a importância de avaliar regularmente a saúde visual. As alterações da visão podem desenvolver-se de forma gradual e passar despercebidas, mesmo quando já condicionam a capacidade de conduzir em segurança.

Porque é que a visão é tão importante na condução?

A condução exige a recolha e interpretação contínuas de informação sobre a estrada, os outros utentes e o ambiente envolvente. Para isso, entram em ação diferentes funções visuais:

  • Visão ao longe: permite identificar sinais de trânsito, obstáculos, veículos e outros utentes da estrada com a antecedência necessária;
  • Visão de perto: ajuda a consultar as informações do painel de instrumentos;
  • Visão periférica: permite detetar movimentos e alterações nas zonas laterais do campo visual, mesmo quando o olhar está dirigido para a frente;
  • Visão binocular e perceção de profundidade: contribuem para avaliar distâncias e a posição relativa dos objetos;
  • Sensibilidade ao contraste: facilita a identificação de pessoas, objetos e obstáculos que se distinguem pouco do fundo, particularmente em condições de iluminação reduzida.

Estas capacidades complementam-se e são essenciais para interpretar o ambiente rodoviário e tomar decisões adequadas. Uma alteração visual não corrigida pode dificultar a identificação atempada de um perigo, reduzindo a margem disponível para reagir.

Conduzir à noite exige cuidados acrescidos

A redução da luminosidade modifica a forma como vemos a estrada. À noite, torna-se mais difícil distinguir determinados obstáculos, reconhecer contrastes e identificar movimentos nas zonas menos iluminadas.

O encandeamento provocado pelos faróis de outros veículos pode agravar estas dificuldades, sobretudo quando existe uma maior sensibilidade à luz.

Problemas visuais como a miopia ou o astigmatismo podem comprometer ainda mais a qualidade da visão noturna, particularmente quando não estão devidamente corrigidos.

A idade também merece atenção, já que com o envelhecimento, podem surgir alterações na sensibilidade ao contraste, na adaptação às mudanças de luminosidade e na capacidade de recuperação após o encandeamento.

Uma boa visão é indispensável, mas não elimina os riscos associados à condução noturna, como tal, a PRP recomenda:

  • Adaptar a velocidade à distância efetivamente visível e às condições da estrada;
  • Aumentar a distância de segurança relativamente ao veículo da frente;
  • Manter o para-brisas, os espelhos e os dispositivos de iluminação limpos e em bom estado;
  • Evitar olhar diretamente para os faróis dos veículos que circulam em sentido contrário;
  • Procurar avaliação visual perante dificuldades em conduzir à noite, encandeamento excessivo ou alterações da visão.

A sua visão pode mudar sem que se aperceba

Nem sempre é fácil reconhecer uma alteração da capacidade visual, já que algumas dificuldades instalam-se progressivamente e o condutor acaba por se habituar a ver pior.

Miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia são exemplos de alterações que podem afetar diferentes tarefas visuais. Outras doenças oculares, como as cataratas ou o glaucoma, também podem comprometer funções importantes para a condução. Por isso, não deve esperar por dificuldades evidentes para avaliar a sua visão. A frequência das avaliações deve ser adequada à idade, aos fatores de risco e às recomendações do profissional de saúde visual.

Se começou a sentir dificuldades em reconhecer sinais à distância, distinguir objetos com pouca luz ou lidar com o encandeamento, procure aconselhamento especializado.

Usa óculos ou lentes de contacto? Confirme na sua carta de condução

Em Portugal, os condutores cuja carta de condução tenha averbada a obrigatoriedade de utilizar correção visual devem cumprir essa condição sempre que conduzem.

A restrição encontra-se identificada no verso da carta de condução, através de códigos específicos, nomeadamente:

  • 01.01: utilização de óculos.
  • 01.02: utilização de lentes de contacto.
  • 01.06: utilização de óculos ou lentes de contacto.

Nos termos do artigo 86.º do Código da Estrada, o incumprimento da obrigação de utilizar os dispositivos prescritos é punível com coima de 60 a 300 euros.

Se a sua correção visual mudou, confirme se as restrições constantes da carta de condução continuam adequadas e informe-se sobre os procedimentos de atualização junto do Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMT).

A proteção dos olhos também faz parte da segurança

A luz solar intensa pode provocar encandeamento e dificultar a identificação de outros utentes da estrada.

Os óculos de sol adequados à condução podem ajudar a reduzir o desconforto causado pela luminosidade e pelos reflexos, devendo, contudo, permitir a correta perceção das cores dos sinais luminosos e garantir uma visão adequada às condições existentes.

As lentes de categoria 4, destinadas a situações de luminosidade extremamente intensa, não são apropriadas para conduzir. Os óculos de sol também não devem ser utilizados à noite ou quando a luminosidade é insuficiente.

Quando necessário, procure aconselhamento especializado sobre as lentes mais adequadas às suas necessidades visuais.

Ver bem é antecipar melhor

A segurança rodoviária começa muito antes de surgir uma situação de perigo. Reconhecer um peão junto à estrada, identificar um veículo que se aproxima de um cruzamento ou avaliar a distância disponível para parar depende da capacidade de observar e interpretar corretamente o ambiente envolvente.

Mas não basta ver bem, é igualmente necessário manter a atenção na condução, respeitar os limites de velocidade e adaptar o comportamento às condições de circulação.

Neste Dia Mundial da Visão, a PRP deixa um desafio: quando foi a última vez que avaliou a sua visão?

Cuidar da saúde visual é também uma forma de contribuir para uma mobilidade mais segura. Ver bem é antecipar melhor. Na estrada, cada detalhe conta.

Fontes:

Sim. Alterações visuais podem dificultar a identificação de obstáculos, a perceção de distâncias e a deteção de movimentos. O impacto depende do tipo e da gravidade da alteração, das condições de condução e de outros fatores de risco.

Sim, quando essa utilização está averbada na carta de condução. O artigo 86.º do Código da Estrada prevê uma coima de 60 a 300 euros pelo incumprimento.

A menor luminosidade reduz a capacidade de distinguir determinados objetos e contrastes. O encandeamento, a fadiga e a visibilidade reduzida podem acrescentar dificuldades à condução.