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Mortes na estrada diminuem 3% na UE em 2025

Os dados finais da Comissão Europeia confirmam uma redução de 3% nas mortes na estrada em 2025. O progresso evitou centenas de perdas, mas permanece insuficiente para cumprir a meta europeia de reduzir para metade as mortes e os feridos graves até 2030.

Em 2025, menos 580 pessoas morreram nas estradas da União Europeia do que no ano anterior. É uma evolução positiva, mas as 19 350 vidas perdidas mostram também a dimensão do caminho que falta percorrer.

Os dados finais, publicados pela Comissão Europeia, revelam uma descida de 3% face a 2024 e de 15% em comparação com 2019. A maioria dos Estados-Membros, porém, continua fora da trajetória necessária para reduzir para metade as mortes e os feridos graves até 2030.

Em Portugal, os números finais indicam 578 vítimas mortais, menos 6% do que em 2024. A melhoria deve ser reconhecida, mas não permite retirar uma conclusão de segurança: o país continua acima da média europeia e não integra o pequeno grupo que está no caminho certo para cumprir a meta de 2030.

União Europeia registou menos 580 mortes em 2025

As 19 350 mortes na estrada registadas em 2025 representam menos 580 vidas perdidas do que em 2024 e menos 3 400 do que em 2019.

A taxa média da União Europeia desceu para 43 mortes por milhão de habitantes. Esta evolução confirma que as políticas de segurança rodoviária produzem resultados quando são continuadas, avaliadas e acompanhadas por medidas coerentes.

Ainda assim, uma redução de 15% desde 2019 está muito aquém da meta de 50% definida para 2030. A própria Comissão Europeia reconhece que o ritmo atual é insuficiente.

A redução é um sinal de progresso que exige continuidade e maior capacidade de execução.

Apenas cinco países seguem a trajetória necessária

Segundo a Comissão Europeia, apenas Bélgica, Bulgária, Dinamarca, Polónia e Roménia estão atualmente numa trajetória compatível com a redução de 50% das mortes na estrada até 2030.

Este dado exige uma leitura cuidadosa: já que progredir ao ritmo necessário não significa apresentar já os melhores níveis de segurança. A Bulgária e a Roménia, por exemplo, continuam entre os países com as taxas de mortalidade mais elevadas da União Europeia.

Em 2025, as maiores taxas foram registadas na Bulgária, com 71 mortes por milhão de habitantes, na Roménia, com 68, e na Croácia, com 67. No extremo oposto encontram-se a Suécia, com 19, e a Dinamarca, com 24.

As diferenças mostram que não existe uma relação automática entre desenvolvimento económico, motorização e segurança. Os resultados dependem das escolhas feitas: velocidades adequadas, infraestruturas que protejam o erro humano, veículos seguros, fiscalização eficaz, educação, resposta pós-sinistro e decisões sustentadas por dados.

Portugal melhora, mas permanece acima da média europeia

Os dados finais da Comissão Europeia contabilizam 578 mortes nas estradas portuguesas em 2025. O número representa uma redução de 6% face a 2024 e de 16% em comparação com 2019.

Portugal apresenta, assim, uma evolução acumulada próxima da média da União Europeia, que reduziu 15% desde 2019. No entanto, a taxa nacional permanece desfavorável:

  • Portugal: 51 mortes por milhão de habitantes;
  • União Europeia: 43 mortes por milhão de habitantes;
  • Suécia: 19 mortes por milhão de habitantes;
  • Dinamarca: 24 mortes por milhão de habitantes.

Portugal registou a quinta taxa de mortalidade rodoviária mais elevada da União Europeia em 2025. Só Bulgária, Roménia, Croácia e Letónia apresentaram valores superiores.

A descida portuguesa é importante, mas deve ser interpretada no contexto certo, uma vez que o país não está entre os cinco Estados-Membros que seguem a trajetória necessária para atingir a meta de 2030. Melhorar num ano não basta quando o objetivo exige uma transformação consistente ao longo da década.

A sinistralidade grave não termina nas vítimas mortais

Por cada pessoa que morre num acidente rodoviário, estima-se que outras cinco sofram ferimentos graves, isto significa que, todos os anos, cerca de 100 mil pessoas ficam gravemente feridas nas estradas da União Europeia.

As consequências prolongam-se muito para além do momento do sinistro: podem incluir incapacidade permanente, perda de autonomia, impacto psicológico, interrupção da vida profissional e custos elevados para as famílias, os serviços de saúde e a sociedade.

Reduzir a sinistralidade rodoviária grave implica, por isso, olhar para os dois indicadores: mortes e feridos graves. Uma política não pode ser considerada bem-sucedida se diminui um deles enquanto o outro permanece estagnado ou aumenta.

Quem continua mais exposto nas estradas europeias

Os dados europeus mostram que as pessoas mais velhas são afetadas de forma desproporcional pela sinistralidade rodoviária. Entre os modos de deslocação mais expostos encontram-se os ocupantes de automóveis e os utentes vulneráveis: peões, ciclistas e motociclistas.

A maioria das mortes ocorre em estradas rurais, fora das zonas urbanas. Nestes contextos, as velocidades praticadas são geralmente mais elevadas, as distâncias até à assistência podem ser maiores e as infraestruturas nem sempre oferecem proteção suficiente perante uma saída de estrada, uma colisão frontal ou o atravessamento de uma pessoa.

Estes padrões não justificam uma resposta única. Exigem intervenções adequadas a cada contexto:

  • nas estradas rurais, gestão da velocidade, separação de sentidos, tratamento das bermas e proteção contra obstáculos;
  • nas áreas urbanas, velocidades compatíveis com a presença de peões e ciclistas, atravessamentos seguros e redes contínuas;
  • para motociclistas, infraestruturas tolerantes ao erro, equipamento de proteção, formação e fiscalização;
  • para pessoas mais velhas, ambientes legíveis, tempos de atravessamento adequados e soluções de mobilidade seguras e acessíveis.

Porque é que a meta de 2030 continua distante

A União Europeia definiu a redução de 50% das mortes e dos feridos graves até 2030, tendo como referência o início da década, e pretende aproximar-se de zero mortes na estrada até 2050.

Chegar a este objetivo exige mais do que pedir prudência a quem circula. A abordagem do Sistema Seguro parte de uma realidade simples: as pessoas cometem erros e o corpo humano tem uma capacidade limitada para suportar a energia de uma colisão.

Cabe ao sistema impedir que um erro previsível termine em morte ou ferimentos graves. Isso implica atuar de forma articulada sobre:

  • velocidades seguras, adequadas à função da via e aos utilizadores presentes;
  • infraestruturas seguras, que reduzam conflitos e protejam perante o erro;
  • veículos seguros, com tecnologias eficazes de prevenção e proteção;
  • comportamentos seguros, apoiados por educação, formação e fiscalização;
  • resposta pós-sinistro, rápida, coordenada e capaz de reduzir as consequências;
  • dados de qualidade, que permitam localizar problemas, avaliar medidas e corrigir decisões.

A responsabilidade é partilhada entre instituições europeias, governos, municípios, empresas, organizações e utilizadores da estrada. Mas partilhada não significa diluída: cada interveniente deve assumir a parte que lhe compete e prestar contas pelos resultados.

Os primeiros sinais de 2026 exigem prudência

Os dados provisórios relativos ao primeiro semestre de 2026 mostram que mais países registaram reduções superiores a 5% do que aumentos das mortes na estrada. É um sinal encorajador, mas ainda não permite antecipar o balanço do ano.

A sinistralidade varia ao longo do calendário e tende a ser mais elevada nos meses de verão. Nos países com números absolutos reduzidos, uma pequena variação pode também produzir grandes oscilações percentuais.

A Comissão Europeia deverá divulgar os dados preliminares relativos à totalidade de 2026 em março de 2027. Até lá, qualquer conclusão deve distinguir claramente estimativas, valores provisórios e resultados finais.

O que estes dados devem mudar

Os números de 2025 demonstram que é possível reduzir as mortes na estrada, demonstram também que o ritmo atual não é suficiente.

Para a Prevenção Rodoviária Portuguesa, o progresso deve traduzir-se em maior exigência e não em menor atenção. Portugal precisa de acelerar a aplicação de medidas comprovadas, avaliar o seu impacto e garantir que a segurança está presente nas decisões sobre mobilidade, território, infraestrutura, veículos e fiscalização.

Cada redução representa pessoas que regressaram a casa. É esse o resultado que importa multiplicar.

A segurança rodoviária não se mede apenas pela comparação com o ano anterior. Mede-se pela capacidade de criar um sistema em que uma falha humana não tenha como consequência a perda de uma vida.

Fontes

Morreram 19 350 pessoas em sinistros rodoviários na União Europeia em 2025, segundo os dados finais da Comissão Europeia.

Sim. O número diminuiu 3% face a 2024, o equivalente a menos 580 mortes. Em comparação com 2019, a redução foi de 15%.

Não. A maioria dos Estados-Membros não está numa trajetória compatível com a redução de 50% das mortes e dos feridos graves até 2030. Apenas cinco países estão atualmente no caminho certo.

Os dados finais da Comissão Europeia indicam 578 vítimas mortais em Portugal, menos 6% do que em 2024.

Portugal está acima. Registou 51 mortes por milhão de habitantes, enquanto a média da União Europeia foi de 43.

As pessoas mais velhas apresentam uma exposição elevada. Os peões, ciclistas e motociclistas estão entre os utilizadores vulneráveis mais afetados, juntamente com os ocupantes de automóveis.

A maioria das mortes rodoviárias na União Europeia ocorre em estradas rurais, fora das zonas urbanas.

A Comissão Europeia estima cerca de 100 mil feridos graves por ano, aproximadamente cinco por cada vítima mortal.