Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária Visão Zero 2030 analisada pela Prevenção Rodoviária Portuguesa

A PRP considera a aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária um passo importante para reduzir a sinistralidade, alertando para a importância da implementação das medidas previstas.

PRP saúda aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária e alerta: o verdadeiro desafio começa agora

Nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030 representa um passo decisivo para reduzir a sinistralidade, mas o sucesso dependerá da implementação das medidas

A aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030 constitui um marco importante para a segurança rodoviária em Portugal. Depois de vários anos de espera por um novo enquadramento estratégico nacional, o Governo aprovou um documento que define metas ambiciosas: reduzir em 50% o número de vítimas mortais e feridos graves até 2030 e alcançar zero mortos e zero feridos graves nas estradas portuguesas até 2050.

Para a Prevenção Rodoviária Portuguesa, esta decisão representa um passo fundamental para que Portugal retome uma trajetória consistente de redução da sinistralidade rodoviária, alinhada com as melhores práticas internacionais e com os objetivos definidos pela União Europeia.

Contudo, a organização alerta que a aprovação da estratégia é apenas o início do processo.

“Há muito tempo que aguardávamos por esta definição estratégica a nível nacional. Todos os países que apresentam melhores resultados em termos de segurança rodoviária possuem estratégias consistentes, contínuas, estruturadas e coordenadas entre diferentes áreas governativas”.

Alain Areal, presidente PRPAlain Areal, Presidente & CEO da PRP

Portugal precisava de uma visão estratégica para a segurança rodoviária

A experiência internacional demonstra que os países com melhores resultados em matéria de segurança rodoviária adotam estratégias de longo prazo, assentes em objetivos claros, monitorização permanente e coordenação entre diferentes áreas de governação.

A nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária surge num momento particularmente relevante. Apesar dos progressos alcançados nas últimas décadas, Portugal continua a apresentar indicadores que justificam uma intervenção reforçada.

Os dados mais recentes apontam para uma tendência preocupante, com um aumento do número de acidentes e vítimas mortais face ao período homólogo do ano anterior.

Segundo Alain Areal, esta realidade reforça a necessidade de agir de forma estruturada e sustentada.

“Se já estávamos perante uma tendência de estagnação, verificamos agora sinais de agravamento da sinistralidade grave. É crucial implementar medidas que contribuam efetivamente para inverter esta situação.”

Alain Areal, presidente PRPAlain Areal, Presidente & CEO da PRP

Uma estratégia alinhada com os princípios do Sistema Seguro

A Visão Zero 2030 assenta no conceito internacional do Sistema Seguro (Safe System), atualmente reconhecido como a abordagem mais eficaz para reduzir mortes e feridos graves no sistema rodoviário.

Este modelo parte de um princípio simples: o erro humano é inevitável, mas as consequências desses erros não têm de resultar em mortes ou lesões graves.

A estratégia estrutura-se em cinco pilares fundamentais:

  • Utilizadores seguros;
  • Infraestruturas seguras;
  • Veículos seguros;
  • Velocidades seguras;
  • Resposta pós-acidente.

Para a PRP, esta abordagem representa uma evolução positiva na forma como a segurança rodoviária é encarada em Portugal, colocando a proteção da vida humana acima de critérios de fluidez, rapidez ou conveniência do tráfego.

Ainda assim, a PRP mantém o compromisso de continuar a sensibilizar e a pressionar para que a segurança rodoviária seja tratada como uma prioridade nacional, com investimentos sustentáveis e medidas eficazes que possam salvar vidas.

O verdadeiro desafio: transformar a estratégia em ação

Se a aprovação da estratégia merece reconhecimento, a sua implementação exigirá um esforço significativo de coordenação e compromisso político.

Para a PRP, é precisamente nesta fase que se encontra o maior desafio.

“Agora surge o verdadeiro desafio. Temos a estratégia aprovada, mas falta implementar as medidas. Isso implica coordenação entre diferentes ministérios, organismos públicos, autarquias, forças de segurança, entidades gestoras de infraestruturas e muitas outras organizações.”

Alain Areal, presidente PRPAlain Areal, Presidente & CEO da PRP

A experiência das estratégias anteriores demonstra que a articulação institucional nem sempre foi suficiente para garantir a concretização dos objetivos definidos.

Por essa razão, a PRP considera essencial assegurar uma liderança forte, mecanismos eficazes de coordenação e uma monitorização rigorosa dos resultados.

“A alocação dos recursos técnicos e financeiros necessários será determinante. Sem esses recursos não será possível implementar as medidas previstas nem alcançar os objetivos definidos.”

Alain Areal, presidente PRPAlain Areal, Presidente & CEO da PRP

Reduzir a velocidade salva vidas

Entre as medidas já conhecidas associadas à nova estratégia, destaca-se a aposta na gestão da velocidade, particularmente dentro das localidades.

Esta é uma das áreas onde existe maior consenso científico relativamente ao seu impacto na redução da sinistralidade grave.

“A velocidade é o principal fator que determina a gravidade dos acidentes. Não só aumenta a probabilidade da sua ocorrência, como agrava significativamente as suas consequências.”

Alain Areal, presidente PRPAlain Areal, Presidente & CEO da PRP

A evidência internacional é clara. Um estudo europeu recente sobre a implementação de Zonas 30 demonstrou resultados muito expressivos:

  • Redução média de 23% dos acidentes;
  • Redução de 37% das vítimas mortais;
  • Redução de 38% dos feridos graves;
  • Diminuição média de 18% das emissões poluentes;
  • Redução de cerca de 7% do consumo de combustível.

Para a PRP, estes resultados demonstram que a gestão adequada da velocidade constitui uma das medidas com maior potencial para salvar vidas, especialmente em meio urbano.

A eficácia destas intervenções aumenta quando a redução dos limites de velocidade é acompanhada por alterações ao desenho das vias e medidas de acalmia de tráfego, criando ambientes mais seguros para todos os utilizadores.

Proteger os peões e os utilizadores mais vulneráveis

Um dos desafios mais relevantes identificados pela estratégia prende-se com a proteção dos utilizadores vulneráveis, em particular os peões.

Em Portugal, uma parte significativa das vítimas mortais ocorre dentro das localidades, onde coexistem veículos motorizados, peões e modos suaves de mobilidade.

Os peões mais idosos merecem especial atenção.

A redução das velocidades de circulação constitui, por isso, uma medida essencial para proteger estes grupos e tornar os espaços urbanos mais seguros e inclusivos.

“Temos um problema relevante com os peões mais idosos, sobretudo acima dos 65 anos, e particularmente acima dos 75 anos. Não porque estejam necessariamente mais expostos ao risco, mas porque são fisicamente mais vulneráveis às consequências de um atropelamento.”

Alain Areal, presidente PRPAlain Areal, Presidente & CEO da PRP

Uma responsabilidade partilhada para alcançar a Visão Zero

A nova Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária reconhece que a segurança rodoviária é uma responsabilidade coletiva. O sucesso dependerá do compromisso de governos, autarquias, empresas, escolas, forças de segurança, entidades gestoras das infraestruturas e de todos os utilizadores da via pública.

A PRP defende que esta visão integrada é indispensável para alcançar resultados duradouros e sustentáveis.

Com mais de seis décadas de trabalho dedicadas à prevenção da sinistralidade rodoviária, à educação para a mobilidade segura, à investigação e ao apoio técnico à definição de políticas públicas, a Prevenção Rodoviária Portuguesa continuará a contribuir ativamente para a concretização desta estratégia.

Visão Zero: um compromisso com a vida

A Visão Zero não é apenas uma meta estatística. É um compromisso ético e social que reconhece que nenhuma morte ou ferimento grave no sistema rodoviário deve ser considerado aceitável.

A aprovação da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária representa um passo decisivo para aproximar Portugal dos países europeus com melhores resultados nesta área.

Para a PRP, o caminho está traçado. Agora será necessário transformar objetivos em ações concretas, garantir os recursos adequados e mobilizar toda a sociedade para uma cultura de segurança rodoviária mais forte, mais consistente e mais eficaz.

Porque cada vida salva na estrada representa muito mais do que um indicador estatístico: representa uma família preservada, uma comunidade protegida e um país mais seguro.

“Segundo a Prevenção Rodoviária Portuguesa, o sucesso da Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária dependerá da implementação efetiva das medidas previstas e da coordenação entre todas as entidades responsáveis.”

É o documento estratégico aprovado pelo Governo que define as metas e orientações para reduzir a sinistralidade rodoviária em Portugal, incluindo a redução de 50% das mortes e feridos graves até 2030.

O objetivo é reduzir para metade o número de vítimas mortais e feridos graves até 2030 e alcançar zero mortos e zero feridos graves nas estradas portuguesas até 2050.

A PRP considera a aprovação da estratégia um passo fundamental para Portugal, mas alerta que o sucesso dependerá da implementação efetiva das medidas e da disponibilização dos recursos necessários.

A velocidade é o principal fator que determina a gravidade dos acidentes. Reduções da velocidade média podem diminuir significativamente o número de mortos e feridos graves.

É uma abordagem internacional que reconhece que o erro humano é inevitável e procura reduzir as consequências desses erros através de infraestruturas, veículos e velocidades mais seguros.