cinto de segurança

Para a maioria de quem viaja de carro, apertar o cinto é um gesto tão automático como ligar o motor. Tão automático, aliás, que já quase ninguém pára a pensar no que ele faz: reter os ocupantes nos seus lugares, distribuir as forças do embate pelas partes mais resistentes do corpo e impedir a ejeção do veículo.

No conjunto de países europeus com dados fiáveis analisados pelo Observatório Europeu de Segurança Rodoviária (ERSO), 27% dos ocupantes de automóveis que morreram em 2023 e cujo uso do cinto era conhecido viajavam sem cinto. Em 2013, esta percentagem era de 25%.

Um gesto que salva vidas

O cinto não evita a colisão, mas reduz o risco de lesões graves e de morte. É uma das medidas de segurança passiva mais eficazes para reduzir as consequências de um embate. Uma meta-análise de Høye (2016), citada pelo ERSO, concluiu que usar o cinto reduz o risco de morte em cerca de 60% para os ocupantes dos lugares da frente e 44% para os do banco traseiro, face a viajar sem cinto. Uma estimativa de 2017 do ETSC, citada pelo mesmo relatório, aponta para cerca de 900 mortes evitáveis por ano na União Europeia se 99% dos ocupantes usassem cinto.

Para o dia a dia, a regra é simples: use sempre o cinto de segurança, mesmo quando viaja no banco de trás. E use-o bem: a faixa diagonal deve passar sobre o ombro e a meio do peito, sem tocar no pescoço, e a faixa abdominal deve assentar sobre a bacia, não sobre o abdómen, sem torções nem folgas.

Colocação Correta Cinto de segurança

O problema do banco traseiro

A utilização tende a ser mais elevada nos lugares dianteiros. As observações em estrada do projeto europeu Trendline mostram o contraste: nas autoestradas, o cinto era usado pelos passageiros da frente, excluindo o condutor, em mais de 95% dos casos em 12 dos 17 países observados; nos passageiros do banco traseiro, atingiu pelo menos 90% em apenas quatro dos 16 países. Nas vias rurais e urbanas, os valores mais baixos de uso no banco traseiro ficaram abaixo de 30%.

O inquérito ESRA3, em 22 países europeus, acrescenta a dimensão do comportamento: 32% dos passageiros de automóvel admitiram ter viajado sem cinto no banco traseiro pelo menos uma vez nos 30 dias anteriores.

Quem não aperta o cinto atrás arrisca mais do que a própria vida. Numa colisão, o corpo do passageiro traseiro prossegue à velocidade anterior ao embate e pode projetar-se contra quem viaja à frente. A meta-análise de Høye (2016) conclui que, quando um passageiro de trás vai sem cinto, o risco de lesão ou morte dos ocupantes da frente quase duplica. A ideia de que o banco de trás dispensa o cinto é, literalmente, um perigo.

O retrato português

Em Portugal, em 2023, morreram 35 ocupantes de automóveis que não usavam cinto, o que representa 20% das vítimas mortais com utilização conhecida, a par da Dinamarca. Dessas 35 mortes, 46% ocorreram em vias urbanas, 46% em vias rurais e apenas 9% nas autoestradas.

O retrato português tem ainda duas notas menos boas: 74% das vítimas mortais sem cinto eram homens e 29% tinham 65 ou mais anos, acima da média dos países analisados, que é de 21% . Entre os mais velhos, o peso das vítimas sem cinto tem vindo a aumentar na Europa: de 13% em 2013 para 21% em 2023.

Crianças bem retidas

As crianças que ainda não têm tamanho suficiente para utilizar corretamente o cinto de segurança do automóvel precisam de um sistema de retenção adequado. Em regra, em Portugal, as crianças com menos de 12 anos e menos de 1,35 metros de altura devem viajar num sistema de retenção homologado, adaptado ao seu tamanho e peso, regulamentado pelo artigo 55.º do Código da Estrada.

A diferença entre usar bem e usar mal é a diferença entre proteger e falhar. Crianças corretamente retidas num sistema adequado têm cerca de 60% menos risco de ferimentos ou morte do que crianças sem retenção, segundo uma meta-análise de Høye (2013) citada pelo ERSO. E a instalação correta continua a ser um desafio: as inspeções a veículos do projeto Trendline identificaram níveis elevados de utilização incorreta dos sistemas de retenção para crianças em vários países participantes.

Na prática, é recomendado verificar sempre a homologação (selo laranja com “E”), a compatibilidade com o veículo, a instalação segundo as instruções do fabricante e o ajuste dos cintos da cadeirinha ao corpo da criança, sem folgas nem torções. Privilegie ainda o transporte em sentido contrário à marcha dentro dos limites de peso e altura indicados pelo fabricante da cadeira, e lembre-se que o lugar mais seguro é, em regra, o banco traseiro.

Tecnologia que reforça a proteção

Os cintos de hoje evoluíram face aos primeiros modelos de três pontos: incorporam dispositivos como retratores e pré-tensores, que eliminam a folga milissegundos antes ou durante a colisão. Sistemas mais recentes podem interagir com a travagem automática de emergência, apertando o cinto quando detetam uma colisão iminente, e a tendência aponta para sistemas de retenção adaptativos ao tamanho e à postura do passageiro.

Tudo isso, porém, pressupõe o mesmo gesto de sempre. Apertar o cinto. À frente e atrás. Em todas as viagens.

Antes de arrancar

A regra cabe numa frase: antes de sair, todos com os cintos de segurança apertados: condutor, passageiros da frente, passageiros de trás e crianças nos sistemas de retenção adequados. Se viaja com crianças, confirme se a cadeirinha está devidamente instalada; se leva passageiros atrás, não arranque sem que todos usem o cinto de forma adequada.

Use sempre o cinto de segurança. Mesmo quando viaja no banco de trás.

Fontes:

Sim. Em Portugal, o uso do cinto é obrigatório em todos os lugares equipados, à frente e atrás, e nos pesados de passageiros.

Uma meta-análise citada pelo ERSO conclui que usar o cinto reduz o risco de morte em cerca de 60% para os lugares da frente e 44% para o banco traseiro, face a viajar sem cinto.

Em regra, em Portugal, as crianças com menos de 12 anos e menos de 1,35 metros de altura devem viajar num sistema de retenção homologado, adaptado ao seu tamanho e peso.

Além de arriscar a própria vida, quase duplica o risco de lesão ou morte dos ocupantes dos lugares da frente em caso de colisão.