Limites de 30 kmh nas cidades

Estudo europeu confirma que a redução da velocidade salva vidas sem aumentar o congestionamento

A redução dos limites de velocidade para 30 km/h em áreas urbanas continua a demonstrar resultados positivos em toda a Europa. Um novo inquérito realizado pela Eurocities, que reuniu informação de 38 cidades em 19 países europeus, conclui que 75% das cidades registaram uma diminuição das mortes e dos feridos nas estradas após a implementação de limites de velocidade mais baixos.

Os dados reforçam uma evidência já conhecida na área da segurança rodoviária: velocidades mais baixas reduzem a gravidade dos acidentes e aumentam a proteção dos utentes mais vulneráveis, como peões, ciclistas, crianças e pessoas idosas.

Porque é que os 30 km/h tornam as cidades mais seguras?

A velocidade é um dos principais fatores de risco na sinistralidade rodoviária. Quanto maior for a velocidade de circulação, menor é o tempo disponível para reagir a situações inesperadas e maior é a energia libertada em caso de colisão.

Nas zonas urbanas, onde coexistem veículos motorizados, peões e utilizadores de modos suaves de mobilidade, pequenas diferenças na velocidade podem representar a diferença entre a vida e a morte.

Segundo o estudo da Eurocities, a redução dos limites de velocidade permitiu:

  • Diminuir o número de acidentes;
  • Reduzir o número de vítimas mortais;
  • Reduzir os feridos graves;
  • Diminuir as velocidades médias e os excessos de velocidade;
  • Reduzir os níveis de ruído urbano.

Os benefícios foram observados para todos os utilizadores da via pública, independentemente do modo de deslocação utilizado.

Menos velocidade não significa mais trânsito

Um dos argumentos frequentemente utilizados contra a implementação de zonas de 30 km/h é o receio de um aumento dos congestionamentos ou dos tempos de viagem.

Contudo, os resultados do inquérito europeu contrariam esta perceção.

As cidades participantes reportam que a redução da velocidade não teve impactos negativos significativos no congestionamento, nos volumes de tráfego ou nos tempos de deslocação, verificando-se apenas efeitos limitados e facilmente geridos nos transportes públicos.

Este resultado demonstra que é possível melhorar a segurança rodoviária sem comprometer a mobilidade urbana.

Mais qualidade de vida para quem vive nas cidades

Os benefícios da gestão da velocidade vão muito além da redução da sinistralidade.

De acordo com o estudo, 91% das cidades identificaram pelo menos um impacto positivo na vida urbana após a implementação dos limites de 30 km/h.

Entre os principais benefícios encontram-se:

  • Menor poluição sonora;
  • Redução da poluição atmosférica;
  • Ambiente urbano mais agradável;
  • Maior utilização da bicicleta;
  • Mais deslocações a pé;
  • Melhoria da convivência entre diferentes utilizadores da via.

Ao reduzir a velocidade dos veículos, as ruas tornam-se mais seguras e confortáveis para todos, incentivando formas de mobilidade mais sustentáveis.

Implementação gradual e focada nas zonas mais sensíveis

Contrariamente à ideia de uma aplicação uniforme em toda a cidade, a maioria dos municípios europeus optou por uma implementação gradual e estratégica.

As zonas prioritárias foram:

  • Áreas residenciais (53%);
  • Centros históricos (45%);
  • Zonas escolares (42%);
  • Ruas cicláveis (26%).

Em muitos casos, os limites de velocidade mais baixos coexistem com vias estruturantes onde se mantêm limites superiores, permitindo conciliar segurança e fluidez de circulação.

Esta abordagem demonstra que a gestão da velocidade deve ser adaptada ao contexto local e às características de cada infraestrutura.

A resistência inicial tende a desaparecer

A implementação de novas medidas de segurança rodoviária nem sempre é consensual.

Durante o processo de implementação, 45% das cidades reportaram oposição política e 37% enfrentaram resistência por parte da população. No entanto, após a entrada em vigor das medidas, esses valores diminuíram significativamente.

A oposição política caiu para 18% e a oposição pública para 21%, evidenciando que a perceção das pessoas tende a mudar quando os benefícios se tornam visíveis.

A experiência das cidades europeias mostra que uma comunicação clara, o envolvimento dos diferentes stakeholders e uma liderança política consistente são fatores determinantes para o sucesso destas iniciativas.

Um passo importante para atingir a Visão Zero

Os resultados surgem numa altura em que a Comissão Europeia prepara a revisão intermédia do Quadro de Política de Segurança Rodoviária da União Europeia e em que continua o esforço para alcançar a meta da Visão Zero, que pretende eliminar as mortes nas estradas europeias até 2050.

A evidência recolhida pela Eurocities demonstra que a redução da velocidade em meio urbano constitui uma medida eficaz, escalável e amplamente aceite após a sua implementação.

Contudo, o estudo sublinha também a necessidade de um maior apoio dos governos nacionais e das instituições europeias, nomeadamente através de enquadramento legal adequado, financiamento, apoio técnico e partilha de boas práticas.

A velocidade continua a ser um fator decisivo

A segurança rodoviária depende de múltiplos fatores, mas a velocidade continua a desempenhar um papel central na prevenção dos acidentes e na redução das suas consequências.

Os resultados deste estudo europeu reforçam uma mensagem simples: cidades mais lentas podem ser cidades mais seguras, mais saudáveis e mais agradáveis para viver.

Promover velocidades adequadas ao contexto urbano não significa limitar a mobilidade. Significa criar ambientes rodoviários mais seguros, proteger os utilizadores mais vulneráveis e contribuir para um espaço público onde todos possam circular com maior confiança e qualidade de vida.

Limites de 30 kmh nas cidades