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Os automóveis vendidos na Europa estão cada vez maiores. Mais compridos, mais largos e mais altos. Esta tendência pode parecer apenas uma questão de conforto ou design, mas vários estudos apontam para consequências que vão muito além da estética: afetam a segurança rodoviária, a utilização do espaço público e até o consumo de energia.

Um novo relatório da Transport & Environment (T&E) e da Clean Cities analisa precisamente esta evolução e alerta para os desafios que o crescimento contínuo das dimensões dos veículos pode representar, sobretudo para peões, ciclistas e outros utentes vulneráveis da via pública.

Em resumo

  • Os automóveis novos estão, em média, a ficar mais compridos, largos e altos;
  • Veículos maiores podem aumentar o risco para peões e outros utentes vulneráveis;
  • O relatório estima que esta tendência poderá reduzir o estacionamento disponível nas cidades e aumentar a gravidade das colisões;
  • As conclusões apresentadas baseiam-se em projeções comparando diferentes cenários até 2040.

Os automóveis continuam a crescer

Segundo o relatório, as dimensões médias dos automóveis novos aumentam de forma consistente há mais de duas décadas.

Em média, todos os anos os novos veículos tornam-se:

  • 1,2 cm mais compridos;
  • 0,5 cm mais altos;
  • 0,5 cm mais largos (tendência já identificada em estudos anteriores);
  • com uma frente (capot) progressivamente mais elevada.

Entre 2000 e 2025, o comprimento médio passou de 4,09 metros para 4,38 metros, enquanto a largura aumentou de 1,69 para 1,82 metros. Ao mesmo tempo, a altura média do capot cresceu de 77 cm para 84 cm desde 2010.

Porque é que o tamanho importa?

À primeira vista, alguns centímetros podem parecer irrelevantes.

No entanto, em segurança rodoviária, pequenas diferenças na geometria dos veículos podem influenciar o resultado de uma colisão.

Os veículos maiores tendem a:

  • reduzir a visibilidade imediata junto à frente do veículo;
  • aumentar a energia envolvida numa colisão devido à sua maior massa;
  • apresentar frentes mais altas, alterando a forma como o impacto ocorre quando um peão é atingido.

Estas características podem aumentar a gravidade das lesões sofridas pelos utentes mais vulneráveis, como peões, ciclistas e utilizadores de motociclos ou ciclomotores.

O impacto nos peões pode ser mais grave

O relatório baseia-se em diversos estudos científicos para estimar os efeitos desta evolução.

Entre eles destaca-se um estudo do instituto belga VIAS, que concluiu que um aumento de 10 centímetros na altura do capot está associado a um acréscimo de 27% no risco de morte dos utentes vulneráveis envolvidos numa colisão.

Com base nesta evidência, os autores projetam dois cenários até 2040:

  • um cenário em que os automóveis continuam a crescer;
  • outro em que as dimensões médias regressam gradualmente aos níveis registados entre 2010 e 2015.

Segundo estas projeções, manter a tendência atual poderá traduzir-se em cerca de 2.570 mortes adicionais de utentes vulneráveis entre 2026 e 2040, incluindo 79 crianças. Em 2040, estima-se ainda que ocorram cerca de 400 mortes adicionais por ano de peões, ciclistas e motociclistas face ao cenário de veículos de menores dimensões.

Importa sublinhar que estes valores correspondem a modelações prospetivas, baseadas em pressupostos científicos, e não a previsões do número real de vítimas.

Também ocupam mais espaço nas cidades

O crescimento dos veículos tem igualmente impacto na gestão do espaço urbano.

De acordo com o estudo, se esta tendência continuar, as cidades poderão perder entre 8,5% e 14% dos lugares de estacionamento em linha até 2040, simplesmente porque cada automóvel ocupa mais espaço do que os atualmente existentes.

Os autores defendem que veículos de dimensões mais equilibradas permitiriam manter uma utilização mais eficiente do espaço público, preservando áreas destinadas à circulação pedonal, à mobilidade ciclável e a outros usos urbanos.

Segurança rodoviária depende de vários fatores

Embora as características do veículo desempenhem um papel importante, a segurança rodoviária resulta sempre da interação entre vários elementos:

  • comportamento do condutor;
  • velocidade praticada;
  • infraestrutura rodoviária;
  • tecnologias de segurança ativa e passiva;
  • utilização correta dos equipamentos de proteção;
  • características do próprio veículo.

A dimensão do automóvel é apenas um destes fatores, mas é um aspeto que tem vindo a ganhar atenção na investigação internacional, sobretudo no que respeita à proteção dos utentes vulneráveis.

Um desafio para a mobilidade do futuro

À medida que os veículos evoluem, também importa refletir sobre a forma como essa evolução influencia a segurança nas cidades.

Projetar automóveis cada vez maiores pode responder às preferências de parte dos consumidores, mas também levanta questões sobre a convivência segura entre todos os utilizadores da via pública.

Promover uma mobilidade mais segura implica continuar a desenvolver veículos tecnologicamente mais avançados, infraestruturas mais seguras e comportamentos responsáveis, garantindo simultaneamente que o desenho dos automóveis contribui para reduzir, e não aumentar, o risco para quem circula de forma mais vulnerável.

Não necessariamente. A segurança de um veículo depende de múltiplos fatores, incluindo os sistemas de segurança, o comportamento do condutor e a velocidade de circulação.

No entanto, diversos estudos indicam que veículos maiores e com a frente (capot) mais elevada podem aumentar a gravidade das lesões em caso de atropelamento, sobretudo para peões e outros utentes vulneráveis.

Quando um veículo tem uma frente mais alta, o impacto tende a ocorrer em zonas mais sensíveis do corpo, como o tórax ou a cabeça, em vez das pernas.

Segundo um estudo do instituto belga VIAS citado no relatório, um aumento de 10 centímetros na altura do capot está associado a um aumento de 27% no risco de morte dos utentes vulneráveis envolvidos numa colisão.

Sim.

De acordo com o relatório da T&E e da Clean Cities, desde 2000 os automóveis novos vendidos na Europa aumentam, em média:

  • 1,2 cm por ano em comprimento;
  • 0,5 cm por ano em altura;
  • 0,5 cm por ano em largura.

Sim.

O aumento das dimensões médias dos automóveis significa que cabem menos veículos nos lugares de estacionamento existentes. O relatório estima que, mantendo-se a tendência atual, as cidades poderão perder entre 8,5% e 14% dos lugares de estacionamento em linha até 2040.

Sim.

O relatório refere que o aumento das dimensões dos veículos afeta igualmente os automóveis elétricos. Veículos maiores necessitam de mais energia para se deslocarem, aumentando o consumo de eletricidade e os custos de utilização ao longo do tempo.

Não.

O estudo apresenta projeções baseadas em modelos científicos que comparam diferentes cenários de evolução das dimensões dos veículos até 2040.

Estas estimativas não representam previsões exatas, mas procuram demonstrar como determinadas tendências poderão influenciar a segurança rodoviária caso se mantenham.

A segurança rodoviária depende de vários fatores em simultâneo, incluindo:

  • veículos com tecnologias de segurança eficazes;
  • velocidades adequadas ao contexto;
  • infraestruturas seguras;
  • comportamento responsável dos condutores;
  • proteção dos utentes vulneráveis;
  • desenho dos veículos que minimize a gravidade das lesões em caso de colisão.