PRP sauda novas medidas

A Prevenção Rodoviária Portuguesa acolhe com expectativa positiva o conjunto de medidas anunciadas pelo Governo para reforçar a segurança rodoviária em Portugal.

Mais fiscalização, melhor comportamento

A reativação de uma unidade dedicada ao trânsito tem um duplo efeito. Por um lado, permite aumentar a fiscalização efetiva nas estradas. Por outro, reforça a perceção de fiscalização junto dos condutores, um fator determinante para a mudança de comportamentos.

A experiência nacional e internacional demonstra que quando os condutores sentem que podem ser fiscalizados a qualquer momento, tendem a:

  • reduzir a velocidade;
  • evitar a condução sob o efeito do álcool e substâncias psicotrópicas;
  • cumprir mais rigorosamente as regras de trânsito.

É precisamente esta alteração comportamental que está na base da redução da sinistralidade.

Fim do anúncio das operações STOP: um passo na direção certa

Outra das medidas anunciadas, o fim do anúncio prévio das operações STOP vai no mesmo sentido. A previsibilidade da fiscalização reduz a sua eficácia. Quando deixa de ser possível antecipar onde e quando haverá controlo, a probabilidade de comportamentos de risco diminui de forma consistente.

Sistema sancionatório: rapidez e eficácia

A PRP destaca igualmente como positiva a intenção de otimizar o sistema sancionatório. A eficácia das sanções depende, em grande medida, da sua proximidade temporal em relação à infração.

Quanto mais rápida for a aplicação da sanção:

  • maior é a associação entre comportamento e consequência;
  • menor é o sentimento de impunidade;
  • maior é o efeito dissuasor.

Este é um dos pontos críticos onde Portugal ainda apresenta margem de melhoria.

Sanções mais justas e proporcionais

No âmbito da revisão do Código da Estrada, a PRP considera relevante a reflexão sobre um modelo de sanções proporcionais ao rendimento dos condutores, à semelhança do que já acontece em países como a Dinamarca, Suécia ou Finlândia.

Um sistema desta natureza permite garantir maior equidade e eficácia:

  • a mesma infração tem impacto real em diferentes perfis de condutores;
  • evita-se que as coimas sejam irrelevantes para alguns e incomportáveis para outros.

Álcool na condução: necessidade de resposta firme

O anúncio de uma punição agravada para a condução sob o efeito do álcool responde a um problema estrutural da segurança rodoviária em Portugal. O álcool continua a estar associado a uma parte significativa dos comportamentos de risco e dos acidentes graves.

Reforçar a resposta sancionatória é essencial, mas deve ser acompanhado por:

  • campanhas de sensibilização consistentes;
  • ações de fiscalização frequentes;
  • educação rodoviária contínua.

O verdadeiro desafio: a implementação

Apesar do enquadramento positivo das medidas anunciadas, a PRP sublinha que o sucesso dependerá da sua implementação.

Historicamente, o maior desafio em Portugal não tem sido a definição de boas políticas, mas sim:

  • a sua execução consistente;
  • a articulação entre entidades;
  • a monitorização de resultados.

É neste ponto que será determinante garantir continuidade, recursos e avaliação.

Um caminho alinhado com as boas práticas internacionais

O conjunto de medidas apresentado segue, de forma geral, as boas práticas internacionais em matéria de segurança rodoviária:

  • reforço da fiscalização;
  • aumento da imprevisibilidade do controlo;
  • melhoria do sistema sancionatório;
  • foco nos principais fatores de risco.

Compromisso com a segurança rodoviária

A PRP reafirma a sua disponibilidade para colaborar ativamente com as entidades públicas e privadas na implementação destas medidas, contribuindo com o seu conhecimento técnico e experiência para a promoção de comportamentos seguros.

Porque, no final, a segurança rodoviária é uma responsabilidade partilhada. Prevenção Rodoviária somos todos nós.