De acordo com a agência Lusa, a PSP registou 555 acidentes com trotinetas nos últimos 5 anos, que provocaram 13 feridos graves e 441 feridos ligeiros.

A PSP sublinha que está a “acompanhar a tendência de aumento da utilização das trotinetas e as consequentes questões relativas à segurança rodoviária, uma vez que os seus condutores partilham as vias de circulação com os demais veículos motorizados”.

Relativamente às principais contraordenações cometidas pelos condutores das trotinetas, a PSP refere que não é possível fornecer este tipo de dados, uma vez que esta informação “não é discriminada pelo tipo de viatura utilizada pelo infrator”.

treotinetas

O uso das trotinetas elétricas cresceu muito nos últimos anos em Portugal, nomeadamente em Lisboa e Porto, mas a sua circulação apresenta vários problemas, uma vez que não é conhecida a verdadeira dimensão dos acidentes que envolvem este tipo de veículos.

Neste sentido, a Prevenção Rodoviária Portuguesa está a realizar um estudo junto dos hospitais para averiguar qual a real dimensão dos acidentes com trotinetas com o intuito de apresentar ao Governo um conjunto de propostas para alterar as regras de utilização destes veículos.

Em declarações à Lusa, a vice-presidente da PRP, Rosa Pita, indicou que o estudo ainda não tem data para conclusão mas ressaltou a urgência nesta questão devido aos vários problemas que apresenta e à ausência de informação sobre o tipo de utentes, acidente e quais os traumatismos.

“Estamos a realizar um estudo junto de organismos de saúde no sentido de recolher informação sobre as causas dos acidentes que envolvem as pessoas que conduzem trotinetas de maneira a quantificar o número de vítimas, caracterizar o tipo de vítimas e gravidade das lesões sofridas para depois podermos sugerir medidas adequadas e de acordo com as causas dos acidentes”, explicou Rosa Pita, vice-presidente da PRP.

“Sabemos, através de relatos hospitalares e de médicos que tratam destas vítimas, que há muitos punhos partidos, tornozelos e traumatismos cranianos”, disse, frisando que apenas se sabe que o uso das trotinetas elétricas cresceu muito nos últimos anos, principalmente nas zonas urbanas, por parte de jovens e turistas.

Alguns dos problemas mais graves é a circulação destes veículos nos passeios, onde é proibido, e o estacionamento, tendo em conta que as trotinetas “são abandonadas no meio dos passeios perturbando a normal circular dos peões”.

“A trotineta está equiparada aos ciclistas, têm de cumprir as regras dos ciclistas. Não podem circular no passeio e há muitas que circulam no passeio”, precisou.

Segundo o Código da Estrada, as trotinetas elétricas são equiparadas às bicicletas e os condutores têm de conhecer as regras de trânsito, podendo apenas circular nas ruas e ciclovias, os condutores não são obrigados a usar capacetes e não há nem limite de idade nem seguro obrigatório.

“As trotinetas partilhadas das operadoras têm seguro e estas limitam a idade a partir dos 18 anos, acontece é que muitos utilizadores têm menos de 18 anos, logo se acontece um acidente não têm seguro”, afirmou Rosa Pita.

Os operadores não se responsabilizam se o condutor for menor de 18 anos, se estiver a conduzir sob a influência de álcool ou cometer outra infração, como falar ao telemóvel, de salientar que a maioria das trotinetas elétricas em circulação em Lisboa são de operadoras de veículos partilhados.

Entre as recomendações que a PRP quer propor às entidades estatais consta obrigatoriedade do seguro, limite de idade e de velocidade, nomeadamente nas zonas pedonais e à noite quando a visibilidade é menor, tal como acontece em outros países europeus, que estão a estabelecer regras para as trotinetas.

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